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| Nosso carequinha deixará saudades como profissional e como pessoa. Foto: ASCOM Central |
Sempre tive admiração por goleiros, talvez por ter aprendido a sentir prazer em ficar debaixo das traves esperando a próxima bolada. Na última segunda-feira, inclusive, defendi um pênalti que me custou uma pancada na "caixa dos peito", mas fui recompensado com uma coca-cola e um pastel por um companheiro de time ao final da pelada.
A falta de velocidade para o futebol de salão me fez ir para o gol apenas para poder fazer parte do mesmo time que os amigos. Daí se intensificou minha admiração pela posição e por nomes como Cláudio Taffarel, Gianluca Pagliuca, Ronaldo Giovanelli, Gianluigi Buffon, entre tantos outros.
Porém, antes de admirador de um bom futebol, sou um cidadão caruaruense e fervoroso torcedor centralino. Não tive a oportunidade de ver nomes como Jorge Hipólito e Carlinhos nas traves da Patativa, mas cresci ouvindo Wilson Bezerra rasgar nomes como Marleudo e Pablo Lima.
Chegando à fase adulta, me deparei recentemente com dois goleiros que me encheram de orgulho. Hudson é o primeiro deles, passou pelo alvinegro em 2008 e impressionava a todos pela capacidade de fazer milagres. Um goleiro comum nas bolas comuns, mas um monstro na arte de fazer o inacreditável.
De um ano pra cá, outro atleta passou a ter status de ídolo para mim. Rodrigo Fernando Pacheco de Oliveira, ou simplesmente Rodrigão. Apesar da decepção da última temporada e dos apuros passados no atual segundo turno do Pernambucano, Rodrigão conseguiu passar ilibado às críticas e ganhou o carinho do torcedor. Nesta semana, deixa as traves do Monumental da Avenida e parte para a bela Natal, onde defenderá o América.
Não faço aqui o coro dos que querem ver os atletas eternamente defendendo o manto alvinegro. A nossa realidade é a de exército provisório. Com o abismo que separa nosso orçamento daquilo que é praticado nos clubes das principais capitais do país, é comum que os atletas cheguem ao Central não pensando em fazer carreira, mas em conseguir destaque e chamar a atenção de agremiações "maiores", ao menos financeiramente.
Não lamento a saída do Rodrigão, já esperava por esse dia com a alegria de quem vê um bom profissional sendo reconhecido. Lamento sua saída sem conquistas. Qualquer torcedor centralino escalaria hoje o nosso carequinha com a camisa 1 de um inédito título estadual e de um acesso de divisão nacional. Se um bom time começa por um bom goleiro, o nosso seguia a regra. Se problemas surgiram à frente, aí é outra história.
Rodrigão merece toda admiração, independente dos resultados em campo, por ser quem é e ter o perfeito perfil de um grande goleiro. Tem a apurada visão de jogo de quem analisa a equipe de trás, de onde tudo começa, é discreto, profissional, sensato, boa fala, excelente caráter, enfim, frio e tranquilo como reza a cartilha do arqueiro de primeira linha. Se não bastasse, usa calças como os antigos, um mérito para qualquer goleiro.
Hoje perco um grande goleiro e ganho um time para torcer na Série B. Desejo ao Rodrigão toda sorte e sucesso. Que seja bem sucedido dentro das quatro linhas e consiga fora delas todas as conquistas que almeja para sua vida e para a vida da sua família. Embora não seja novidade, faço questão de lembrar que Caruaru e o Central estarão sempre de portas abertas para alguém que vestiu tão bem e honrou nossa camisa.
Vai que é sua, Rodrigão!






