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quinta-feira, 28 de março de 2013

Vai que é sua, Rodrigão!

Nosso carequinha deixará saudades como profissional e como pessoa. Foto: ASCOM Central
Sempre tive admiração por goleiros, talvez por ter aprendido a sentir prazer em ficar debaixo das traves esperando a próxima bolada. Na última segunda-feira, inclusive, defendi um pênalti que me custou uma pancada na "caixa dos peito", mas fui recompensado com uma coca-cola e um pastel por um companheiro de time ao final da pelada.

A falta de velocidade para o futebol de salão me fez ir para o gol apenas para poder fazer parte do mesmo time que os amigos. Daí se intensificou minha admiração pela posição e por nomes como Cláudio Taffarel, Gianluca Pagliuca, Ronaldo Giovanelli, Gianluigi Buffon, entre tantos outros.

Porém, antes de admirador de um bom futebol, sou um cidadão caruaruense e fervoroso torcedor centralino. Não tive a oportunidade de ver nomes como Jorge Hipólito e Carlinhos nas traves da Patativa, mas cresci ouvindo Wilson Bezerra rasgar nomes como Marleudo e Pablo Lima.

Chegando à fase adulta, me deparei recentemente com dois goleiros que me encheram de orgulho. Hudson é o primeiro deles, passou pelo alvinegro em 2008 e impressionava a todos pela capacidade de fazer milagres. Um goleiro comum nas bolas comuns, mas um monstro na arte de fazer o inacreditável.

De um ano pra cá, outro atleta passou a ter status de ídolo para mim. Rodrigo Fernando Pacheco de Oliveira, ou simplesmente Rodrigão. Apesar da decepção da última temporada e dos apuros passados no atual segundo turno do Pernambucano, Rodrigão conseguiu passar ilibado às críticas e ganhou o carinho do torcedor. Nesta semana, deixa as traves do Monumental da Avenida e parte para a bela Natal, onde defenderá o América.

Não faço aqui o coro dos que querem ver os atletas eternamente defendendo o manto alvinegro. A nossa realidade é a de exército provisório. Com o abismo que separa nosso orçamento daquilo que é praticado nos clubes das principais capitais do país, é comum que os atletas cheguem ao Central não pensando em fazer carreira, mas em conseguir destaque e chamar a atenção de agremiações "maiores", ao menos financeiramente.

Não lamento a saída do Rodrigão, já esperava por esse dia com a alegria de quem vê um bom profissional sendo reconhecido. Lamento sua saída sem conquistas. Qualquer torcedor centralino escalaria hoje o nosso carequinha com a camisa 1 de um inédito título estadual e de um acesso de divisão nacional. Se um bom time começa por um bom goleiro, o nosso seguia a regra. Se problemas surgiram à frente, aí é outra história.

Rodrigão merece toda admiração, independente dos resultados em campo, por ser quem é e ter o perfeito perfil de um grande goleiro. Tem a apurada visão de jogo de quem analisa a equipe de trás, de onde tudo começa, é discreto, profissional, sensato, boa fala, excelente caráter, enfim, frio e tranquilo como reza a cartilha do arqueiro de primeira linha. Se não bastasse, usa calças como os antigos, um mérito para qualquer goleiro.

Hoje perco um grande goleiro e ganho um time para torcer na Série B. Desejo ao Rodrigão toda sorte e sucesso. Que seja bem sucedido dentro das quatro linhas e consiga fora delas todas as conquistas que almeja para sua vida e para a vida da sua família. Embora não seja novidade, faço questão de lembrar que Caruaru e o Central estarão sempre de portas abertas para alguém que vestiu tão bem e honrou nossa camisa.

Vai que é sua, Rodrigão!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Petrolina 2x1 Central: uma derrota para refletir

Patativa lutou mas a bola insistiu
em não entrar
Há momentos no futebol em que é melhor se abster de qualquer comentário. Por essas e outras eu preferi só falar da partida de ontem no dia seguinte. Atirar contra tudo e contra todos nesse momento não vai ajudar em nada a equipe, é preciso refletir, deixar o sangue quente de torcedor esfriar e pensar no momento com sobriedade.

A Patativa foi ao sertão e cedeu ao time do Petrolina a sua primeira vitória no campeonato. O Central atacou mais, criou, procurou, teve maior volume de jogo e a bola não entrou. Não vou fazer comentários sobre a atuação desse ou daquele jogador, muito menos avaliar o que ocorreu em um jogo disputado a 600km da minha casa, em que minha maior fonte de informação são jornalistas muitas vezes com interesses obscuros e tendenciosos a execrar a instituição Central Sport Club. 

Gustavo empatou ainda no primeiro
tempo, mas em seguida veio o 2x1.
A única conclusão que se pode tirar da atuação da equipe é que o grupo suou, e como, no desgastante embate no sertão pernambucano. Buscou o resultado com a garra de um grupo que deixa de lado as dificuldades e foca em ser vencedor. Mas nem só de vitórias é que se vive. A explicação para a derrota é puramente matemática e probabilística. Não há time que só vença, nem time que perca todas

Antes de falar que perdemos para a equipe que tomou 8x0 do Náutico, que se lembre que do outro lado também há homens, cada qual com seu brio. E uma hora ou outra esse time haveria de vencer no campeonato. Mesmo saindo derrotado em todas as suas quatro partidas anteriores em casa, entregaram duro a derrota, e só perderam para o Náutico em casa no primeiro turno graças a um pênalti desperdiçado.

Atacante Johnathan Goiano saiu lesionado
e preocupa para a sequência do PE2013
Me perdoem, mas a situação era propícia a uma derrota. A desgastante viagem de quase 12 horas, a chegada já na madrugada com direito a ônibus quebrado, parte dos salários de janeiro ainda pendentes e do outro lado uma equipe envergonhada que precisava reavivar a esperança do seu torcedor a todo custo. A bomba do Petrolina iria estourar nas mãos de alguém, e as circunstâncias fizeram com que estourasse nas nossas. 

A bem da verdade, a diretoria contribuiu bastante para a construção da derrota ao errar no planejamento da viagem e por não ter dado a injeção de ânimo necessária fazendo o mínimo que se espera, que é cumprir com suas obrigações para com o grupo no tempo certo. Ainda assim, o grupo vem lutando e foi a Petrolina motivado, alegre, ciente do dever de vestir e honrar a camisa alvinegra.

Para quem acredita nessas situações do acaso, um alento. Domingo receberemos um Sport capenga, que não transmite segurança para o seu torcedor. Por outro lado, nosso grupo de jogadores estará disposto a mostrar que não sentiu o golpe da derrota desta quarta-feira. Manter os 100% em casa é preciso, e já está na hora de voltarmos a vencer o Sport. Agora é a nossa bomba que precisa estourar nas mãos de alguém, vai sobrar pra eles...

Os gols de Petrolina 2x1 Central com imagens da Globo Nordeste:




Goleiro Rodrigão

Em especial, há de se destacar a importante presença do atleta Rodrigo Oliveira no Central Sport Club. Em 2012, ganhou o torcedor alvinegro pela sua qualidade técnica e seu profissionalismo. Em 2013, a medida que sua convivência com o torcedor aumenta, o goleiro ganha o torcedor também pelo caráter e pelo homem honrado que é. Ainda na noite de ontem, momentos após a derrota, o jogador publicou um depoimento sobre a partida de ontem no grupo da Patativa no Facebook, falando do quanto lutaram para conseguir o resultado e o quanto estavam abatidos por não consegui-lo. Ao final, se desculpou, mesmo não sendo necessário. Suas atuações demonstram o seu potencial e justificam o posto de número 1 da Patativa.

Deixo o meu muito obrigado e os parabéns ao Rodrigão, não só o meu, mas tomo a liberdade de fazer por toda a torcida alvinegra. É uma felicidade ter em nosso grupo de atletas um profissional sério, digno, humilde e tão compromissado com o clube. Como o próprio atleta falou em seu depoimento: "A palavra de Deus diz que o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã, e é nisso que eu acredito...". Nós também, Rodrigão! Essa alegria voltará no domingo e estaremos juntos comemorando, no campo e nas arquibancadas. Um abraço alvinegro!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Logística é tudo

Última vitória da Patativa diante da Fera
Sertaneja foi com o time de 2009
Tem coisa que vira moda, e é um saco. Quem tiver a memória mais apurada, vai perceber que há dez anos não fazia a menor ideia do que era logística. Hoje não se fala em outra coisa. Até curso pra isso existe. Seu Paulo trabalha numa transportadora em Caruaru, ou melhor, trabalhava, e foi demitido após 15 anos de serviços prestados no setor de carga e descarga da empresa. No seu lugar entrou um "rapazote" de vinte e poucos anos e poucas caixas carregadas no currículo. Mas tinha o tal curso de logística.

No Central, alguém deveria ter feito esse curso. A diretoria de futebol planejou a viagem para Petrolina no último final de semana e o roteiro parecia perfeito. O time viajaria para Recife no final do dia de hoje, terça-feira, concentraria em um hotel e pegaria o voo das dez da manhã. Uma hora de voo, já almoçaria em Petrolina e passaria a tarde repousando para a partida diante do pior time do campeonato até aqui. Até que a logística centralina se mostrou não tão logisticamente organizada assim e alguém percebeu que para cumprir o roteiro seria preciso ter reservado as passagens com certa antecedência. Tarde demais.

E lá se vão os guerreiros alvinegros encarar cerca de 600km de estrada, algo em torno de sete horas de viagem. Torturante, mas nem tanto. A Fera Sertaneja jogou quatro partidas em casa e perdeu as quatro. Com exceção do Náutico, os outros três adversários (Porto, Belo Jardim e Chã Grande) foram ao sertão de ônibus e trouxeram três pontos na bagagem. 

Time do VEC vai treinar de carona
Imagem: Jornal Extra de Rondônia
Para quem acha sacrificante a viagem, o futebol a cada dia nos dá exemplos de superação que podem servir de inspiração para qualquer equipe. No último final de semana, o elenco do Vilhena Esporte Clube, que se prepara para a estreia no Campeonato Rondoniense, teve que ir de carona para o campo de treinamento. A van que levaria os atletas quebrou e, para não perder o treino, a solução foi pegar "bigu" na caçamba de duas caminhonetas. Tudo para cumprir o objetivo de construir um grupo vencedor. Queriam esses atletas ter à disposição o ônibus que levou a Patativa à Petrolina hoje.

Goleiro Rodrigão postou em rede social
foto do grupo partindo para Petrolina

O elenco alvinegro parece ter viajado motivado em busca de mais uma vitória. Segundo informações, os salários referentes a janeiro finalmente foram pagos. O goleiro Rodrigão postou em uma rede social uma foto de parte do grupo já dentro do ônibus, instantes antes de pegar a estrada. Quase um trem da alegria. Alegria que a torcida alvinegra esperar ver em campo amanhã e que seja ainda maior na volta, quando já devemos focar na dura partida do final de semana diante do Sport, em Caruaru.

Na ocasião, a promessa é de que, em caso de vitórias amanhã e no domingo, os salários referentes a este mês de fevereiro serão pagos com cerca de duas semanas de antecedência. Um gás a mais para a equipe continuar jogando com a garra que já se tornou característica. Político que é, o presidente entende de promessa. Só falta entender de logística.

Avante Patativa!